domingo, 6 de dezembro de 2009

As mulheres de Manoel Carlos

Dona Helena, eu vou bater um bolinho pra senhora! Onde já se viu ficar sem comer?

É de praxe associar o autor Manoel Carlos ao Rio de Janeiro, ao Leblon e ao balanço agradável de clássicos da bossa nova. Além disso, outra característica que atribuem a ele seria "a facilidade em decifrar a alma feminina", praticamente um Chico Buarque da teledramaturgia brasileira. Ora, mas o que seria, afinal, a tal "alma feminina"? De que mulher fala Manoel Carlos?

Em sua maioria, as mulheres de Manoel Carlos são ricas. Algumas muito ricas. A maioria não trabalha ( o que fazem, por exemplo, Tereza e suas filhas? Betina ou mesmo a drunkoréxia Renata?). Elas podem ser professoras ou médicas, mas tanto as escolas como os hospitais em que trabalham parecem um shopping center.

Aliás, para não cometer injustiças, algumas mulheres de suas novelas trabalham muito. Além da conta, quase escravas. São as empregadas domésticas, sempre uniformizadas a qualquer hora do dia e da noite. Elas se dividem em duas categorias: as cordatas, quase santas, "ouvido penico" da patroa, ou as curvilíneas perigosas, objeto de cobiça do patrão.

Ah, as mulheres de Manoel Carlos são barraqueiras. Adoram uma baixaria. Algumas rolam no chão aos tapas com outra mulher. Geralmente por conta de outro homem.

E elas comem? Nem pensar. As mulheres de Manoel Carlos têm horror à calorias. E não estamos falando das personagens que tem transtornos alimentares, mas de todas. Só comem saladinhas, estão sempre de dieta.

As mulheres de Manoel Carlos são fúteis. Só falam de roupas, dietas, homens e, principalmente, mal de outras mulheres. Os homens aparecem em seus discursos como objeto de disputa de poder entre elas, não como objeto de amor. Aliás, o que seria amor nas novelas de Manoel Carlos? Você sabe?

Sei lá, não consigo me identificar com essas mulheres. Novela é ficção e entretenimento, mas "Viver a vida" só tem conseguido me deixar irritada. As mulheres de Manoel Carlos são mulheres lidas a partir da cabeça de um homem machista. Estou errada?

sábado, 21 de novembro de 2009

Dois vestidos rosa

É comum entre as meninas pequenas gostar de ver o vestido de noiva das mães. Pelo menos, era. Algumas até gostavam de experimentar, de preferência com um sapato de salto que fazia sumir os pezinhos. E eram vestidos como de princesas: longos, com babados, alguns com plumas (era moda nos anos 60/70), outros em renda. Neste quesito, eu era frustrada. Não gostava do vestido da minha mãe porque não era nada romântico a meu ver, nem parecia com o de uma princesa. Era um minivestido. Rosa. Sem grinalda ou véu.
Minha mãe casou-se no auge da ditadura militar, no início de 1971. Já tinha mais de trinta. Não quis casar na igreja. Meu pai era amigo de um padre aventureiro e o chamou para celebrar a cerimônia. Em casa. Em troca, o levou em um avião pequeno para passear em Miami.

Hoje, com o escândalo do caso Geisy, lembrei do vestido de noiva de minha mãe, o símbolo de uma juventude que descobria o feminismo. A maioria das convidadas de mamãe estavam de minissaia e ninguém era vaiada ou xingada por isso. Todas lindas.

Lembrando do vestido rosa de minha mãe, consigo ter a dimensão do quanto ele foi romântico, enfim. Representou uma época em que as mulheres ousaram mostrar as pernas e as idéias. Ninguém poderia imaginar que, quase quarenta anos depois, dentro de um regime democrático, aconteceria um fato como o vergonhoso ocorrido na UNIBAN, onde o feminino foi tão covardemente agredido. Ninguém imaginaria ainda que a protagonista faria uso da publicidade do fato para ter seus quinze minutos de fama. Com suas pernas. Não com suas idéias.

Post inspirado aqui

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As melhores histórias de amor


As melhores histórias de amor são as que não dão certo, eu li uma vez. E é verdade. De Romeu e Julieta a Casablanca. De "E o vento levou" a "Love Story". A fórmula das novelas resumida por um diretor: "Um casal querendo transar e um monte de gente querendo atrapalhar". Simples assim. Quanto mais difícil, melhor.

Ando sem vergonha de me declarar romântica. E os melhores romances aconteceram nas minisséries brasileiras, na minha opinião. Histórias de curta duração, sem tempo pra barriga que acontece nas novelas. E um bom espaço para muito drama e cenas carregadas de emoção. E muito amor impossível. Bora relembrar algumas?


1) Anos Dourados (1986)- O doce Marcos (Felipe Camargo) era filho de uma mulher separada (Beth Faria), um escândalo nos anos 50. Ele se apaixona por Lurdes (Malu Mader), uma normalista de família tradicional e conservadora. Gilberto Braga conta um romance dos bons nesta minissérie clássica, ao mesmo tempo que faz uma crítica social importante à hipocrisia da época. Estréia de Felipe Camargo. O melhor mocinho ever.

2) Anos Rebeldes (1992) - João Alfredo (Cássio Gabus) era um militante político nos anos de chumbo da ditadura militar. Era namorado de Maria Lúcia (Malu Mader), uma moça inteligente, mas que não tinha perfil politizado. Tudo o que ela queria era paz, pois seu pai também fora um perseguido político. Ao mesmo tempo que João Alfredo se envolve com a luta armada, ele se distancia de Lúcia. Outra obra-prima de Gilberto Braga.

3) Os Maias (2001) - Carlos Eduardo da Maia (Fábio Assunção) apaixona-se, sem saber, por sua irmã Maria Eduarda da Maia (Ana Paula Arósio) na Portugal do século XIX. Quer tragédia maior do que a paixão entre dois irmãos? Com cenas carregadas de sensualidade e drama pesado, essa minissérie foi uma excelente adaptação do romance de Eça de Queiroz.

4) Hilda Furacão (1998) - A consagração de Rodrigo Santoro na tevê. Frei Malthus (Santoro) envolve-se com a moça de classe média que vira prostituta, Hilda (Ana Paula Arósio). Ana Paula Arósio nunca esteve tão bonita. Estréia de Thiago Lacerda, que fez o Aramel.

5) (...) - O que vocês sugerem para o meu TOP 5 ficar completo? Me ajudem! Será que existem mocinhas sofredoras melhores do que Malu Mader e Ana Paula Arósio? Palpitem.

domingo, 8 de novembro de 2009

"Fiz a Audrey"


Há uma cena de Audrey Hepburn em "Sabrina"(1954) que sempre me lembro. Ao levar um fora de Linus (Humphrey Bogart), em que ele expõe, de maneira cruel, que não a ama, ela, Sabrina, simplesmente se levanta e sai. Apenas com o olhar ela demonstra todo o seu sofrimento e o quanto ele estaria sendo grosseiro. Sem choro, sem histrionismo. Elegantérrima.


Há muitos anos, um namorado rompeu comigo. Não foi cruel como Linus, mas o rompimento com alguém que se ama nunca é fácil. Uma amiga, na época, me perguntou: "Como você reagiu?". E eu disse: "Fiz a Audrey". Sem choro nem vela. Sem chantagens. "Se quiser voltar, me telefone. Sabe o quanto gosto de você."


Nem todas as pessoas reagem bem ao fim de uma relação. Aliás, a maioria não. Até a princesa Diana (lembram-se?) não conseguiu ser como Sabrina. Falou mal do príncipe Charles em rede nacional para mostrar o quanto ele havia sido cruel com ela. Para quê? Pagar de mulher ressentida? Atacar o objeto de amor perdido para que ninguém mais se interesse por ele (ainda que fosse o Charles)? Deixá-lo tão terrível para que você mesma não corra a tentação de querê-lo de volta?


Há hoje uma confusão do que é "mulher guerreira". Mulher "guerreira" (que termo é esse?), autêntica é aquela que expõe a vida íntima em revistas, portais de celebridades e twitters? Que risca o carro do ex? Sei lá, para mim, isso é ser barraqueira. Se você é "guerreira", maravilhosa mesmo, isso aparece. Se o cara é um paspalho e não vale nada, isso também aparece. Não precisa ficar bradando aos quatro ventos. Discrição nunca é demais. Até no final (doloroso) de um relacionamento. E isso serve, obviamente, para os homens também.


domingo, 1 de novembro de 2009

Novela de verdade!

Troca novela, trocam os galãs. Finalmente, dois bons. Sai Rodrigo Lombardi, entra Mateus Solano no papel dos gêmeos Jorge e Miguel. Eu tive o privilégio de assistir Solano em Hamlet, na pele de Horácio, seu melhor amigo.Wagner Moura é um monstro sagrado (como diria Fausto Silva), mas ele não fica atrás, definitivamente. Lindo porte em cena, melhor ao vivo do que na telinha.
Quanto à nova novela do Manoel Carlos, mais do mesmo. Seu Rio de Janeiro continua mais fictício e irreal do que a Índia de Gloria Perez. Cansei-me das Helenas; todas chatas e enjoadas. A única de que gostei, por incrível que pareça, foi a sussurrante Helena de Vera Fischer, em Laços de Família. Aline Moraes está ótima como a mimada Luciana, mas nem isso me faz assistir com gosto.

Manoel Carlos já foi melhor. E, voltando aos gêmeos de Mateus Solano, já escreveu lindamente sobre dois outros gêmeos. Tony Ramos fez uma das mais emocionantes cenas de sua carreira em uma novela do "Maneco": o reencontro dos gêmeos João Vítor (o certinho) e Quinzinho (o irreverente). Se nunca viu, vale a pena. A novela é "Baila Comigo" de 1980 e a cena fez muita gente chorar na época. Mateus Solano é um príncipe, mas Tony Ramos, definitivamente, é rei.

Dá uma olhadinha lá. E emocione-se.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Antes de Manoel Carlos




Eu já gostei muito de José Mayer. Só que foi antes dos cafajestes criados por Manoel Carlos. O garanhão do Agreste, Osnar, papel extraído do romance de Jorge Amado, foi o seu melhor. O doce Osnar, amor de infância de Tieta. Marcos, Greg, César e outros tipos não são nada perto do nordestino de bom coração.

Para relembrar, clique aqui


sábado, 19 de setembro de 2009

Saudades de Patrick Swayze...

Continuando com os posts melancólicos, posso dizer que 2009 tem roubado os anos 80 de mim. Farrah Fawcett, Michael Jackson, John Hughes e agora Patrick Swayze foram embora.
Eu era mais o Tom Cruise (já disse aqui várias vezes), mas adorava o Morten (vocalista do A-HA) que, por sua vez, era a cara do Patrick Swayze. Cara de um, focinho do outro. Beleza diferente.
Tive uma amiga que assistiu dezenas de vezes o tal do "Dirty Dancing"(1987). Louca por ele. Eu comprei os discos (sim, foram dois; excelente trilha sonora). Aprendi a dançar os passos de "I´ve had the time of my life", assim como cantar "She´s like the wind", interpretada pelo próprio Swayze. Alguns anos mais tarde, chorei e ri com ele em Ghost (1991). Sempre que ouvir "Unchained Melody" lembrarei dele e dos olhos lacrimejantes de uma jovem Demi Moore.
Uma pena que Patrick Swayze tenha que ir tão cedo embora.